Mostrando postagens com marcador Forte Nossa Senhora da Assunção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Forte Nossa Senhora da Assunção. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de julho de 2011

Reformas e Construções Favoreceram Turismo na Capital Cearense.



Por Naila Okita, especial para Agência USP de Notícias


As reformas e novas construções realizadas em edifícios e praças públicos em Fortaleza, Ceará, durante a década de 1990, foram importantes para fortalecer o turismo da região. Visando recuperar a memória histórica local, com estilos arquitetônicos antigos e plantas originais, “a arquitetura foi pensada para virar cartões postais e criar uma identidade para a cidade”, comenta a arquiteta Renata Horn Barbosa. “As pessoas querem viajar para ver o pitoresco, diferente, o lado histórico dos lugares”, analisa.
Renata estudou projetos públicos, tanto do governo do estado como os da prefeitura, cujas obras foram realizadas entre 1991 e 2002. Em comum, todos seguiram uma linha cujo objetivo era transformar a capital do Ceará em um pólo histórico-cultural voltado especialmente ao turismo. A pesquisa originou a dissertação Fortaleza: arquitetura e cidade no final do séc. XX, apresentada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em fevereiro de 2007.
Segundo dados da Secretaria de Turismo do Ceará, a renda estadual gerada pelo turismo cresceu de R$ 650 milhões em 1995 para mais de R$ 2 bilhões em 2003. A demanda turística internacional aumentou em cinco vezes e o número de turistas que visitaram Fortaleza dobrou nesse mesmo intervalo de tempo.
Obras
A reforma na Praça do Ferreira, no centro da cidade, é uma das poucas obras que pensou mais no lado histórico e menos no turismo, apesar de tê-lo beneficiado. Foi reproduzido o desenho original da praça, concebido no início do século XX, o qual já havia sofrido diversas alterações. Utilizando materiais mais modernos, foi refeito o relógio, a cacimba (reservatório de água) para animais, quiosques, bancos. Tudo para relembrar tempos mais antigos.
Mercado central foi idealizado como um prédio completamente fechado
O novo Mercado Central é um centro comercial onde o turista vai achar toda sorte de souvenier típico, camisetas, comidas, artesanato. Já na Praia de Iracema, o calçadão foi reformado, com a inclusão de restaurantes, hotéis e flats; e a Ponte dos Ingleses foi revitalizada baseada em desenhos e fotos antigas. A Ponte está localizada nas proximidades do primeiro porto de Fortaleza, hoje abandonado, e por isso tem um grande valor histórico.
O Centro Cultural Dragão do Mar talvez seja a maior das obras. Com 30 mil metros quadrados (m²), tornou-se um centro de lazer e cultura que inclui um museu, um memorial, cinemas, anfiteatro e um planetário. Trata-se de um grande empreendimento, com o intuito de se tornar um símbolo da cidade e atrair grande número de visitantes.
Praia de Iracema teve seu calçadão reformado e inclusão de restaurantes e flats
Outro lado
Apesar da contribuição econômica e cultural das obras, Renata acredita que há pequenas ressalvas. “O Mercado Central, por exemplo, foi idealizado como um prédio completamente fechado, sem ligação com o exterior. Ele ganharia muito mais se houvesse interação com o Forte Nossa Senhora da Assunção, o Riacho Pajeú e a Catedral Metropolitana, que ficam próximos, e são importantes pontos históricos da cidade”, observa a arquiteta. “É preciso explorar o ambiente, dialogar com o entorno”.
Outros projetos, como o da Praça do Ferreira e o calçadão da Iracema, são voltados a um grupo social específico e um pouco mais elevado, resgatando costumes da elite, no caso da Praça, e incentivando uma vida noturna em restaurantes e bares do calçadão. A população local, mais humilde, e que até então utilizava esses espaços públicos, perdeu um local de recreação. “O anseio pela visibilidade internacional às vezes pode deixar de lado as questões sociais”, comenta Renata. “Mas o resultado foi positivo, com geração de empregos, crescimento econômico, novos espaços culturais e, claro, incentivo ao turismo”.
* Imagens cedidas pela pesquisadora
Mais informações: (11) 9289-3693 com Renata Horn Barbosa; emailrenatab@gmail.com. Dissertação de mestrado orientada pela professora Mônica Junqueira de Camargo