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domingo, 22 de abril de 2012

O grande valor da literatura grotesca.


Bocage

As letras de música do funk carioca escandalizam muita gente pelo conteúdo sexual, às vezes ofensivo, e palavras de baixo calão. O uso desses recursos, no entanto, não é dos dias de hoje. Fazem parte da literatura desde os primórdios da língua portuguesa, quando eram aplicados pelos poetas na composição das chamadas “cantigas de escárnio e maldizer”. 

Pense no pior palavrão que conhece e, certamente, ele esteve presente nas composições da época. Linguagem carregada de imprecações, difamações, uso de baixo calão e referências ao baixo material corporal. Comparações e metáforas que transformam o homem em animal. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Pipoca, cinema e chocolate marcam 1º dia da 'Semana do Baseado' na USP



Começou com distribuição de pipoca, chocolate, bala e paçoca a Semana de Barba, Bigode e Baseado, evento promovido por alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) na Cidade Universitária da USP. Cerca de 60 pessoas assistem na noite desta segunda-feira, 16, ao filme Maria Cheia de Graça, a história de uma garota colombiana que engole cápsulas com drogas para levar aos Estados Unidos.

A sessão de cinema ocorre no Espaço Verde, uma sala da FFLCH. Nas paredes do espaço foram colocados cartazes com o recado: "Não porte substâncias ilícitas. O uso de drogas pode ser prejudicial à saúde, à família, à tradição e à propriedade", numa possível alusão à organização católica Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

São Paulo precisa melhorar estrutura de eventos culturais.



Pela enorme quantidade de peças de teatro, shows e exposições que sedia, a cidade de São Paulo é, com certeza, um dos polos culturais mais importantes do País. Entretanto, tal oferta não atende plenamente à toda a população da cidade. De acordo com o geógrafo Paulo Roberto Andrade de Moraes, autor de pesquisa sobre o assunto, a diversidade de atividades culturais não se distribuiu espacialmente de maneira igual por toda a cidade. “Há uma concentração de atrações nas zonas oeste, sudoeste e no centro da cidade, enquanto as outras regiões dependem principalmente da iniciativa governamental no que diz respeito a opções de entretenimento”, constata.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Crítica atenuada facilita aceitação do rap na sociedade



O livro Um garoto chamado Rorbeto, do rapper Gabriel O Pensador, marcou a estreia do músico na literatura infantil e foi vencedor do Prêmio Jabuti, a premiação mais prestigiada da literatura brasileira, como melhor livro infantil em 2006. A obra foi objeto de estudo na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). “Estudamos como os ecos da cultura hip-hop apareciam na obra e quais as imagens literárias de criança e infância eram retratadas nela”, afirma a jornalista e pesquisadora Edna Alencar da Silva
Algumas características que aproximam a obra do hip-hop são o texto ser todo rimado e o tom de denúncia. “Porém, a denúncia não é sustentada até o final. Rorbeto é aceito na sociedade e ensina seu pai a escrever. O livro tem um final feliz”, conta a pesquisadora. Para ela, isso é uma mostra de amadurecimento do autor e do hip-hop, pois é feita uma negociação com a sociedade, e não apenas a crítica.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cinemas de arte alteram o espaço urbano paulistano



Os cinemas de arte, como os da região da Av. Paulista, causam maiores transformações físicas e sociais no espaço urbano do que as grandes redes instaladas nos shoppings centers. Na cidade de São Paulo, estas salas de exibição representam 11% das poltronas e possuem programação regular. Diferentemente dos multiplex (localizados nos shoppings), os cinemas de arte se instalam em vias públicas, galerias e espaços culturais e não têm padronização de salas ou logomarcas, exibindo lançamentos norte americanos independentes, europeus, asiáticos, sul americanos, entre outros.
O geógrafo Eduardo Baider Stefani realizou um levantamento das salas cinema da cidade para entender como elas estão distribuídas espacialmente e quais as repercussões sociais dessa distribuição no espaço urbano. “Procurei entender como um determinado tipo de cinema cria um determinado tipo de público e como os diferentes públicos modificam o espaço urbano”, explica.
O tamanho da cidade de São Paulo proporciona a existência de um circuito de cinemas de arte
O tamanho de São Paulo dá condições para que exista um circuito de cinemas de arte
Para sua pesquisa de mestrado “A geografia dos cinemas no lazer paulistano contemporâneo: redes e territorialidades dos cinemas de arte e multiplex”, apresentada na  Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e orientada pelo professor Júlio César Suzuki, Baider recorreu à bibliografia e a guias semanais de jornais. Também realizou entrevistas em campo, de caráter qualitativo, com frequentadores dos diversos tipos de cinema. As questões abordaram as características dos públicos e  os motivos da escolha dos cinemas, entre outras.
Multiplex e Artes
Baider identificou dois grandes grupos de cinema, relacionados à quantidade e tipo de público, quanto aos filmes exibidos, entre outros: os cinemas Multiplex e os, já citados, cinemas de arte.
Os multiplex representam 85% das salas da cidade. Para o pesquisador, eles são resultado da transformação do cinema enquanto lazer. Nos anos 1950 e 1960, os filmes eram produtos genéricos, exibidos em salas com 1.500 a 2.000 lugares e atraindo todo tipo de público. “O multiplex surge, no fim dos anos 1980, quando a indústria cinematográfica começa a criar produtos para públicos específicos” explica.  “Eles possuem salas menores e padronizadas, com 150 a 400 lugares e estão dispostos, preponderantemente, em Shoppings Centers”.
A partir das entrevistas, Baider observou que os frequentadores dos multiplex utilizam o espaço do shopping de maneira mais temporária e menos permanente e sólida. Ele fica limitado a um espaço urbano cerceado e controlado pelas regras do shopping. “Esse frequentador vê o cinema como um lazer. Quando ele muda de amizades, de namorada, de tipo de entretenimento, por exemplo, ele também muda de cinema” avalia Baider.
Já o frequentador do cinema de arte está mais preocupado com o conteúdo do filme, e não com as tecnologias das salas de exibição. “O espectador, nesse caso, vê o produto fílmico, não como um simples entretenimento, mas como uma forma de adquirir cultura. Ele se propõe a consumir o filme como um lazer ativo”, analisa o pesquisador.
Diferentes interferências urbanas Os cinemas de arte propiciam transformações urbanas mais intensas, sólidas e perceptíveis do que os multiplex. “Por exemplo, temos uma territorialidade de cinemas de arte e seus frequentadores na área da avenida Paulista, que foi fomentada quando o mercado percebeu a movimentação de frequentadores em função dos primeiros cinemas de arte, como o Espaço Unibanco, o HSBC e outros. A partir daí, novos cinemas foram se instalando e consolidando a cena alternativa da região”, analisa Baider.
Para Baider, esse circuito alternativo só é possível devido à imponência espaço-social de São Paulo, que têm a capacidade de fomentar diversos tipos de público e criar um circuito de cinemas de arte e diversos outros lazeres relacionados. O mesmo não ocorre em cidades menores, que possuem poucos cinemas de arte.
Expansão das grandes redes
Segundo o pesquisador, os multiplex pertencem a poucas redes de exibição, que tentam mapear o espaço da cidade para obter o maior lucro possível. “Os primeiros multiplex se instalaram em shoppings do centro expandido. Hoje, a região central já é um espaço bem mapeado, e a expansão se dá agora em shoppings da periferia, como Itaquera e Aricanduva”, relata o pesquisador.
“Seria interessante pensar em políticas públicas a partir de instalações de equipamentos culturais que visassem a valorização do espaço urbano. É o que, mais ou menos, já acontece com o centro tradicional, com o Centro Cultural do Banco do Brasil, Centro Cultural da Caixa, com a revitalização do Cine Olido, do Cine Marabá, entre outros”, diz o pesquisador.


Mais informações: (11) 9510-6352 ou email baider@usp.br, com o pesquisador Eduardo Baider Stefani
Por Paulo Roberto Andrade - paulo.roberto.andrade@usp.br