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domingo, 18 de março de 2012

Quando o cinema criou coragem e enfrentou Freud.



A propósito de "Freud, além da alma", o crítico Luiz Zanin Oricchio — da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, com formação nas áreas de filosofia e psicologia, editor do caderno de cultura de "O Estado de S. Paulo" — fez estes comentários:

Tocado pela aura de Freud, Huston tinha em mente um projeto ambicioso e convidou ninguém menos que o filósofo francês Jean-Paul Sartre para escrever o roteiro.

Freud contra Sartre

Sartre aceitou, demorou-se para entregar o texto e, quando o fez, este veio na forma de um calhamaço de centenas de páginas, definido por Huston como 'infilmável'. Sartre, ofendido, comentou que diretores de cinema 'ficavam tristes quando tinham de pensar'.

Dessa forma, o roteiro de 'Freud, além da alma' foi assinado [também] por Charles Kaufman e Wolfgang Reinhardt, que, pode-se dizer, fizeram um bom trabalho para Huston, fornecendo-lhe uma base sólida sobre a qual ele pudesse construir suas imagens. A dificuldade seria dar vivacidade a uma história que tira todo o seu encanto da vida interior dos personagens e não propriamente de acontecimentos trepidantes em termos de ação. Huston mostrou-se suficientemente lúcido para dar ao filme o tom de uma história de mistério, empolgante saga de conquista de um território desconhecido — metáfora utilizada com frequência pelo próprio Freud ao se referir ao inconsciente.